
"Olha à direita e à esquerda do tempo, e que o teu coração aprenda a estar tranquilo."
Frederico García Llorca
Nestes últimos dias, tenho ouvido falar muito do "Tempo". Aquele Tempo que nos faz esquecer o nosso passado, quando este deixa marcas profundas. Aquele Tempo que nos faz sentir bem melhores, quando isso acontece.
Não existem teorias infalíveis acerca do poder curativo do Tempo. Também não existem regras acerca de como fazer passar o tempo de uma forma mais célere, para que as feridas se fechem mais depressa. Existem sim, diferentes experiências de vida, que nos permitem validar de que forma pretendemos fazer com que o Tempo passe. Senão, vejamos: quando é que o Tempo passa mais depressa? - Quando fazemos algo de que gostamos. E quando é que o Tempo demora a passar? - Quando fazemos algo que nos é tortuoso fazer. Ora aí está! Porque é que não pensamos nesta "teoria" quando temos que fazer com que o Tempo nos ajude a curar alguns males, como seja o do coração? Talvez porque nos agarramos áquela frase, que dizemos com muita frequência: "É mais fácil dizê-lo do que fazê-lo". Pois é verdade. Ninguém disse que era fácil ultrapassar os obstáculos do Tempo, um um coração desfeito, partido em pedaços no Tempo, com a lucidez que se pretende para seguir um caminho não menos tortuoso. Este caminho inicia-se sem a consciência absoluta do que se vai passar ao longo do Tempo. E é essa incerteza, essa ansiedade, esse querer-saber, que nos fazem ligar o piloto-automático, e deixar passar o Tempo como se estivessemos no Purgatório a aguardar o Julgamento Final, pelo que, quanto mais o Tempo demorar a passar, melhor. É esta forma de sentir que nos deixa insensíveis à realidade dos dias, do Tempo que passa. Deixamos pelo caminho muitas tristezas, um estado de alma vazio, deixamos muitas vezes de sentir, porque assim é mais fácil encarar o dia seguinte. O Tempo de sentir não tem prazo. O Tempo de carpir também não. Como alguém afirmou um dia: "Prefiro ter um coração vazio, do que ter um coração fodido..."
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